4 de julho de 2010

Laura

Tolos são os crêem que mulheres assim, escolhem essa vida por opção. Quer dizer, pelo menos, no caso de Laura ela não escolheu viver assim. Hoje se tornara escrava de uma vida suja e nojenta, mas antes não. Ela jamais quis tornar-se, o que hoje é. Será o destino? Obra do acaso? Ou é apenas a opção de muitas meninas que precisam ajudar em casa?

Laura era boa. Linda, jovem. Uma garota de sonhos e desejos. Queria ser veterinária. Amava os bichinhos que criava sem o consentimento de sua mãe (o pai de Laura, aqui não interessa. Afinal, ela nunca o conheceu).
Enfim, Laura era assim. Doce como água de beija-flor. Pura como a água de uma nascente. Laura era simplesmente Laura. Linda, serena e doce. Laura.

Todos os motivos, tirando o da opção própria, levaram Laura a sua vida atual. Descaso. Necessidade. Amadurecimento. Laura tornou-se explorada. Uma terra habitada por vários nômades retirantes.
No início, os cavalheiros desejavam sua pureza. Hoje, aceitam-na por falta de outras que os satisfaçam, ou simplesmente, por costume; por um hábito.
Laura já não é a linda e pura moça, que sonhava e desejava uma vida melhor. Hoje sua perspectiva, baseia-se no que fazer pra que ainda a desejem. Vive então, de imundos e suados corpos, que por vários motivos, infiltram-na a alma, e lhe roubam a cada dia, o que ainda lhe resta, da menina que sonhava em ser veterinária.
Laura não é mais doce. Hoje é rude. Seca. Uma promiscua e indesejada, tatuada.