28 de junho de 2010

Pensamentos cafeinados

Café que amarga. Café que adoça. Que relaxa. Que eletriza. Café. Pó escuro que transfigura com a água fervendo. Pó que cheira a primeira refeição do dia; que tem o cheirinho da avó. Bebida sagrada que fora dividida na guerra. Bebida que é adorada, do intelectual mesquinho, ao mais podre trabalhador rural. Café.
Com açúcar ou adoçante. Sempre. Café.

Não sei por que o descrevo. Minha paixão por xícaras e canecas, deve ter influenciado. Deve ter, manipulado minhas palavras, que nem sempre são tão claras.
Escuras. Sim. Escuras como o café que cai da garrafa térmica. Palavras ralas e, quase sempre, amargas, assim como o café coado horas atrás.
Necessito de café novo, quente. Assim, como preciso de palavras, de pensamentos, de expressões, e até mesmo, de ações. Preciso disso. Preciso adocicar ou amargar os lábios. Preciso dizer. Preciso cuspir o que anda entalado.

Não sei o que tudo isso significa pra você, e se quer saber, tão pouco, me interessa. Preciso apenas disso. De palavras, de cuspidos, de canecas minuciosamente feitas, e de muito, mais muito café. Afinal, preciso estar atenta. Não posso dormir. Preciso sentir o pulsar do coração. Preciso apenas, de um bom café fresco.