12 de maio de 2010

Do alto, um alivio

Clara estava passando por transtornos em sua relação amorosa. Em casa, não se entendia com ninguém. E na escola ia mal. Quase não via seus amigos. Estava tensa, imóvel e inoperante diante das dificuldades. Não conseguia ver com clareza toda aquela situação, podia somente ver um borrão diante dos olhos.
Ela não entendia o porquê de tudo aquilo. Mas na verdade, não conseguia parar pra pensar, pra analisar o que a levara àquela situação.
Vivia com calafrios. Sentia-se rejeitada. Já não sabia quem era ou de onde vira.
Clara estava apaixonada por Eduardo, seu primeiro amor. Mas no momento, o relacionamento estava um tanto que, desgastado. Ambos não sentiam o mesmo friozinho na barriga ao se encontrarem, ou sequer, tinham vontade de se encontrar. Mas mesmo assim, continuavam se amando e sendo fiéis, um ao outro.
Seus pais também estavam em crise. Sempre que se sentavam a mesa, começavam uma discussão interminável. Clara se distanciara dos dois, a quem confiava seus segredos e angustias. Sentia-se sozinha.
Os amigos continuavam ali. Felizes. Graciosos. Mas ela não conseguia mais estar ao lado deles. Sentia-se uma "ovelha negra". Sentia-se como se estivessem felizes para contrariá-la.
Para Clara, tudo parecia perdido. Como se o mundo desabara em suas costas. Mas no fundo, sempre soube que seus problemas eram pequenos, diante de tanta pobreza e miséria, mas no momento, se tornara egocêntrica.

Diante a um turbilhão de pensamentos, Clara buscavam algo, ou melhor, um lugar, para poder desabafar, pensar sozinha.
Voltando da escola, quieta e só. Ela se depara com um prédio, alto, velho, clássico, que por sinal, sempre esteve ali, mas que nunca prestara atenção. Percebe que é um prédio abandonado, resolve subir.
Já no topo, começa a lembrar-se de tudo. Vê toda a cidade. Seu colégio. Sua casa. A casa de Eduardo. Então se lembra que como toda a confusão começou.
Começa a chorar. Um choro de leveza, um choro de cura. Percebe que a causa de tudo é ela mesma.
Percebe como tem sido mesquinha, de como tem pensado só em si mesma. Vê que ninguém tem todo o tempo do mundo pra acariciar sua face e pra lhe dizer palavras bonitas. Percebe que a vida não é fácil, e que todos têm seus problemas.
Lembra de como foi "idiota" com seus amigos. De como foi incompreensiva com seus pais. Lembra de como Eduardo lhe dava atenção, e ela sequer notava. Chora.
Naquele instante, aquele prédio parecia estar bem mais perto das nuvens, do que o pico mais alto do monte mais alto. Sente a leveza do vento em seu rosto. Um vento que seca suas lágrimas, que seca tua alma de lamentações e que lhe dá forças pra continuar. Vê-se uma pessoa bela novamente. Vê-se amada e compreendida. Repensa seus atos e se vê livre mais uma vez.